Você
já deve ter ouvido falar de pessoas que têm problemas com excesso de
trabalho. Ou daqueles que têm problemas familiares ou de relacionamento.
Talvez seja você mesmo que no momento esteja com alguma dificuldade
relacionada ao corpo, à namorada ou namorado, ao cônjuge, à escola, ao
trabalho.
Pode
ser que também já tenha visto casas ou quartos mal cuidados. Ou carros.
Ou ainda pessoas com aparência desleixada e maltratada.
Boa
parte desses problemas tem sua origem na não-observação de um
princípio universal: o Equilíbrio. É
princípio porque é uma lei, uma diretriz que regula e orienta
comportamentos e decisões. É universal porque se aplica a tudo.
O
Princípio do Equilíbrio afirma que, onde quer que várias partes formem
um todo (um sistema), devemos prestar atenção e nos dedicar a cada
parte, sob pena de que tanto as partes não atendidas quanto o todo sofram
ou tenham problemas por isso. Por exemplo, se você estuda e tem 7
disciplinas e não se dedica devidamente a todas, isto irá afetar as
disciplinas negligenciadas e todo o curso que está fazendo. Se você tem
2 filhos e dá mais atenção a um, o outro sofrerá por isso, seja no
futuro próximo ou no longo prazo, e a família pode ser afetada pelo
problema.
Ainda
na família, há interesses que são de seus membros e outros da família
em si. A tentativa de fazer prevalecer interesses individuais em
detrimento dos familiares pode provocar desavenças e brigas. Se somente o
interesse familiar predominar, os membros podem ser prejudicados. Entre
marido e mulher, requerem equilíbrio fatores variados, como a distância
(nem próximos nem distantes demais) e a possessividade.
Como
ser humano, você tem corpo, mente e espírito. Se você se dedicar muito
ao corpo e ao espírito, esquecendo a mente, será forte, integrado e irá
se dedicar a outras pessoas, mas com poucos conhecimentos e outros
recursos racionais. Sua nutrição requer alimentos, ar e prazer (fique
sem para ver). A alimentação por si requer variação para ser
equilibrada.
Mesmo
o desenvolvimento do corpo requer equilíbrio. Se você for para a
academia e fizer peso para um só braço, ou desenvolver mais a parte
muscular em detrimento da aeróbica, pode imaginar o que vai
acontecer.
No
nível mental, uma pessoa pode se desequilibrar dedicando mais atenção
ao passado, às lembranças, e esquecer os planos. Pode ficar sonhando com
futuros ou preocupando-se, e esquecer sua experiência. Ou pode ainda
planejar e lembrar-se, esquecendo-se de estar no presente e usufruir das
coisas boas que conquistou. E as pessoas que parecem que tomam decisões
baseadas somente em emoçôes? Ou aquelas que parecem que são lógica
pura? Tem também aquelas que só agem por necessidade, quando é preciso,
enquanto que outras sabem temperar devidamente o "tenho que" com
o "quero".
O
desequilíbrio, como você pode ver, pode ocorrer em todos os níveis, do
mais genérico ao mais específico, e portanto é crítico que saibamos
lidar com eles, o que não é necessariamente complicado.
Observando
o Princípio do Equilíbrio
Como
se faz para observar o Princípio do Equilíbrio? A base disso é simples:
identificar as áreas de sua vida, verificar quais estão equilibradas e
quais estão desequilibradas, para estas definindo objetivos e ações. Se
forem várias, cabe também uma priorização: mais importantes
primeiro.
No
nível pessoal, isto pode incluir uma atividade física, um curso ou
treinamento de vez em quando e 10 minutos de meditação, por exemplo. No
nível de relacionamento em geral, pode significar cuidar melhor de
alguém ou tomar a iniciativa de fazer um contato. Na área familiar, pode
ser uma simples decisão de estar com alguém por alguns minutos. As
ações que mantém o equilíbrio podem ser muito simples. Alguns
contextos, como o de tomada de decisão, podem requerer auto-conhecimento
e auto-exploração, antes da elaboração (e devida prática) de
alternativas.
O
equilíbrio muitas vezes resulta do cultivo e prática de certos valores,
como coooperação, perdão e até hábitos perceptivos. Na etiqueta
chinesa, conforme me foi apresentada, há uma tradição de cada um manter
a xícara do outro cheia de chá. Isto faz com que as pessoas, além de
praticar o cuidar, também treinem o hábito de olhar de vez em quando
para o ambiente e para o outro, ao invés de manter a atenção
exclusivamente em si: "Ai, que fome!"
Você
já deve ter notado que o Princípio do Equilíbrio abrange múltiplas
dimensões da nossa existência, e portanto não pode ser ignorado.
Ignore-o e alguém vai acabar sofrendo, seja você ou alguém próximo a
você. Deve ser por isso que recebemos um ensinamento que tem o
equilíbrio como eixo: "Amai ao próximo como a ti mesmo".
Contextos
de aplicação
A
seguir, uma lista de sistemas e situações em que você pode aplicar o
Princípio do Equilíbrio, incluindo as já mencionadas.
Pessoal
-
Corpo, mente, espírito
-
Aparência e conteúdo
-
Físico, racional e emocional
-
Cabeça, tronco, membros
-
Passado (lembranças), presente (sensações, emoções) e futuro (planos)
-
Nutrição (alimentos, ar, prazer)
-
Alimentação (proteínas, carboidratos, etc.)
-
Avaliação de qualidades e defeitos
Escola
-
Dedicação às disciplinas (aluno ou professor)
-
Participação em grupos de trabalho
Familiar
-
Pais em relação a cada filho
-
Trabalho, família, si mesmo
-
Marido, esposa e filhos
-
Dedicação à casa e ao prédio ou condomínio
Trabalho
-
Liderança: Pessoas, Objetivos, Recursos
-
Produção, capacitação, descanso
-
Reuniões: oportunidades de fala; informação, deliberação e decisão
-
Relacionamento com chefes, colegas e outras pessoas
-
Necessidades pessoais e do trabalho
Social
-
Cuidados pessoais, com os outros e com o ambiente
-
Contribuição para o bairro, a cidade, o país
Outros
-
Para um site, equilíbrio na dedicação ao design, à estrutura, ao
conteúdo, à divulgação, interatividade e outros aspectos.
-
Correio eletrônico e computador em geral: uso, atualização,
manutenção (Ah, aquelas 300 mensagens na caixa de saída...)
-
Veículos: uso, manutenção, prevenção
-
Cozinha: tempero na dose certa!
Conclusão
Uma
senhora foi visitar parentes com um recém-nascido. Ao entrar na casa,
estavam os pais, o bebê e a filha mais velha, de 4 anos. A senhora
cumprimentou os pais e, ignorando o bebê no colo da mãe, foi saudar a
menina, para só então dedicar sua atenção ao bebê. Em uma situação
de desequilíbrio "natural", em que todas as atenções se
voltam para o novo, essa senhora foi capaz de preservar o equilíbrio em
relação à menina, o que considero um comportamento de grande sabedoria.
E
quem quer um pouco mais de sabedoria e seus benefícios deve ter, com
certeza, como parte do seu cotidiano, a intenção da busca por aquele
pouco mais de equilíbrio, em cada momento e em cada dimensão importante
da vida.