Hoje é comum apresentadores em palestras e seminários
usarem um apontador luminoso, conhecido como caneta laser. Alguns deles têm o
hábito de girar a caneta ao redor da área de projeção sobre a qual estão
falando. Vamos mostrar aqui inconvenientes desse hábito, que acabam por provocar
efeitos contrários aos desejados.
A utilidade
Usar a caneta tem um propósito: indicar à audiência onde
prestar atenção. Isso é uma função importante, já que pode haver várias
possibilidades e sincronizar a fala do apresentador com o que estamos vendo ou
olhando apóia a compreensão. Nosso aproveitamento não será tão bom se, enquanto
o apresentador fala, estivermos por exemplo procurando no slide onde está
conteúdo relacionado.
Essa condução de atenção é feita pelo facho de luz: o
apresentador liga a caneta e a move de forma a apontar um ponto do slide Nós
naturalmente seguimos a luz; o apresentador é o líder nesse aspecto.
O inconveniente
Quando o apresentador gira a luz em torno da
área-alvo, nós, que estávamos seguindo a luz, tendemos também naturalmente a...
continuar seguindo a luz. Ou seja, o apresentador, ao continuar movendo a luz,
de fato faz com que nossa atenção seja desviada da área-alvo e tenda a girar
junto com a luz.
Assim ao fazer tais movimentos com a caneta laser, quanto mais
sucesso o apresentador tem em conduzir a atenção da audiëncia, mais prejudica
seus próprios objetivos de informar ou explicar!
A solução
A solução mais óbvia parece ser simplesmente estabilizar a
caneta, mas há algo mais. De fato, uma vez que saibamos aonde prestar atenção,
não precisamos de mais informações sobre isso e sim nos concentrarmos na leitura
e no acompanhamento da fala do apresentador. Assim, e depois que sabemos para
onde olhar, a própria presença da luz constitui uma interferência!
A solução portanto é a mais simples possível: apenas
indicar onde está o conteúdo de interesse no momento e desligar a caneta,
liberando assim a audiência de seguir o apontamento.
O obstáculo
Essa melhoria com relação ao uso da caneta lase foi sugerida a
alguns palestrantes, mas em todos os casos os
envolvidos continuaram a fazer a mesma coisa. Isso pode ter ocorrido porque não
ficaram convencidos ou porque não conseguiram ou não
souberam mudar, o que é
compreensível porque na hora da ação nossa atenção tem coisas mais importantes a
enfatizar do que hábitos motores. Certas ações têm mesmo que ser feitas
subconscientemente, liberando nossa percepção e pensamento para o ambiente e ações
que requerem decisões de tempo real. Mas um risco potencial de comportamentos automatizados é continuar
executando o comportamento anterior, mesmo quando uma nova e melhor opção se
apresenta.
Caminhos
Pode lhe parecer um tanto quanto óbvio, mas um caminho para
mudar um hábito é exercitá-lo, ou seja, praticar um pouco o novo hábito, em
condições controladas. Um facilitador da mudança é concentrar-se em um objetivo
de cada vez, ou seja, quando estiver exercitando um novo hábito quanto a
apontadores, enfoque apenas isso, e ignore outros aspectos da apresentação, como
por exemplo postura, posicionamento, oratória e conteúdo.
Para acelerar a estabilização da mudança, você pode também
executar os exercícios bem lentamente no início (veja
Aprendizagem: Aprender
também o contrário???). Para testar, simule condições realistas e veja se
seu comportamento espontâneo passou a ser o novo.
Uma opção de prática que pode ser feita em qualquer lugar é
ensaiar mentalmente, imaginando um cenário em que você está apresentando com
caneta laser e inserindo nele o novo comportamento.