Se as coisas na equipe não andam bem, esta estratégia pode ser
útil
VOCÊ SABE PORQUE OS TIMES DE FUTEBOL TROCAM TANTO DE
TÉCNICO?
Porque precisam obter resultados, pois os resultados são
o combustível de um time de futebol. E a exigência de resultados, no
futebol, é cruel: não basta ser bom, é necessário ser o melhor. A
torcida não deixa por menos.
Nas empresas modernas, há a cobrança cada vez maior
pela obtenção de resultados, e de forma cada vez mais rápida. A área
de tecnologia em informática, a minha, de uma forma geral tem
dificuldade de atender a essas novas exigências.
O empacotamento de processos operacionais das empresas
em sistemas corporativos, com a alocação de recursos humanos
organizados como equipes mistas de desenvolvimento/manutenção são, de
certa forma, responsáveis por essa dificuldade que temos de ser ágeis
no atendimento às demandas. Valorizamos a estabilidade da equipe, o acúmulo
de conhecimentos quanto ao aspecto negocial, e normalmente elegemos como
líderes pessoas com um grande conhecimento da área de negócios.
Em nosso modelo, com o passar do tempo, começamos a
ficar excessivamente comprometidos com a necessidade de manutenção de
programas (diga-se conserto) e melhorias (diga-se adaptação), e não
temos como investir em um aprimoramento maior. Nossos sistemas começam
a se tornar “Frankensteins” tecnológicos, o tempo se torna cada vez
mais insuficiente, os resultados mais lentos e insatisfatórios, a
qualidade insuficiente, e assim vamos precisando de mais e mais
recursos, e com isso tudo, a relação custo-benefício vai para o espaço.
Mas e daí? A solução então é trocar o “técnico”?
Não existem receitas milagrosas, daquelas que curam
todos os males. Cada caso é um caso, mas um fato é único: precisamos
parar, de vez em quando, para nos conscientizarmos da realidade,
questionar paradigmas, e analisar alternativas. De minha parte, costumo
usar uma estratégia mental que normalmente me leva a provocar mudanças
e a conseguir obter resultados rápidos. Isto se torna ainda mais
interessante em um contexto em que estes resultados não estão sendo
esperados pela Empresa, neste momento. Podem estar sendo cobrados, mas
dificilmente esperados. Trata-se, realmente, de trocar o técnico, só
que há um aspecto interessante: o técnico sou eu mesmo.
Recentemente, passei por uma situação em que me
sentia muito pressionado pelos problemas, demandas reprimidas e cobranças.
Percebia que a equipe estava no “gargalo”, sem ter como produzir
mais, e ainda por cima, havia perdido para o mercado dois dos melhores
recursos da equipe.
Aparentemente, o caos estava instalado. Então,
resolvi trocar o técnico. Foi até simples, pois afinal, dependia mais
era de mim mesmo. E como isso custa muito pouco, e traz resultados
bastante positivos, resolvi compartilhar com vocês o método que uso,
para que o experimentem e sintam os resultados que podem obter. Uso de
um artifício simples. Abstraio-me da realidade, e gasto algum tempo
observando a situação (a equipe trabalhando, o comportamento
individual, o contexto, a lista de pendências...) como se eu estivesse
chegando agora, e fosse liderar este grupo. Procuro, então, visualizar
o atual líder (que sou eu mesmo), analisar seus erros e acertos,
tentando entender porque ele (uma pessoa tão inteligente!) se comporta
como um cachorro correndo atrás do rabo.
Visualizo, então, o que a Empresa espera desta área,
e imagino o que eu, como futuro líder, exigiria para aceitar entrar
nessa fria (de administrar essa área). E qual será minha proposta de
trabalho e quais os erros que devo evitar, para que eu consiga obter os
resultados que a empresa espera, e saia do outro lado com a imagem de líder
super competente, e reconhecido por todos.
Pronto: agora, é colocar a idéia no papel, gastar um
pouco de energia revisando-a e planejando exaustivamente os detalhes, e
virar a mesa. Quer dizer, trocar o técnico. E que significa, na
realidade, mudar completamente a minha postura e minha forma de
administrar a área.
A grande vantagem deste processo é que depende
exclusivamente de mim mesmo, e se baseia exclusivamente na quebra de
paradigmas e de vícios de trabalho. Além disso, como se trata de mudança
radical, e visando um objetivo nobre e corporativo, que é a obtenção
de melhores resultados com um menor custo, torna-se fácil negociar uma
trégua e até um período de carência com as áreas demandantes.
E se, de qualquer forma, este método não puder ser
aplicado integralmente no seu caso, pelo menos lhe trará uma maior
consciência do ambiente e da estrutura de trabalho, e lhe permitirá
planejar melhor seus próximos passos. E o que é mais importante:
conhecer melhor a forma como a empresa e os outros vêem o seu trabalho.