Pergunta
- O começo em São Paulo foi muito difícil?
GISELE
- No início eu tinha que ir para os testes de metrô. Não tinha dinheiro para
pegar táxi. De vez em quando passava por baixo da roleta dos ônibus para não
pagar, porque tinha de economizar e não queria pedir aos meus pais. Queria ser
independente com 14 anos! Eu ia às revistas com o meu book debaixo do
braço, andava a cidade inteira, ia para a Mooca, para a Lapa, ia para não sei
onde. Conheço São Paulo inteira de metrô e de ônibus.
Pergunta
- Como eram as seleções?
GISELE - Tinha umas 100 meninas no casting, o cara olhava para o seu book,
olhava para a sua cara e falava: "Muito obrigado". Era um não. Eu já
sabia. Na hora em que entrava na sala, sabia se era um não ou um sim. Pela
maneira como as pessoas me tratavam.
Pergunta
- E foram muitos "nãos"?
GISELE
- Nossa! Muitos! Nesse business o que você mais ganha é não. De vez em
quando eu ouvia: "Ela não é certa para o trabalho." Ou: "O
corpo dela não é legal", "É muito magra, o nariz é grande, o olho
é isso." "Não sabe trabalhar a câmera." Só que eu não ia
deixar esse bando de gente me abalar. Não ia receber cinco "nãos" na
cara e desistir. Não sou desse tipo de pessoa. Eu vou atrás do que quero e não
importa o que aconteça.
Fonte:
revista Playboy de agosto de 2000
Imagens: Netcolony