A
brasileira Kristie Hanbury, até os 17 anos, já tinha sido judoka,
jogadora de vôlei, modelo e mãe. Foi então atingida na cabeça por uma porta
de garagem de shopping.
Teve um edema cerebral, fraturou a 3ª e a 5ª vértebras e a 4ª se
deslocou, comprimindo a medula espinhal. Ela ficou tetraplégica em
segundos: sem
movimentos e sem sensibiliidade no corpo.
Kristie ouviu coisas do tipo "Esquece, você vai ter que se
acostumar com sua nova situação", e lhe arrumaram um psiquiatra. Sua resposta
foi: "Não, obrigada, não vou não. Não tenho mais nada pra fazer, eu vou morrer
tentando. Ou eu consigo ou eu morro."
Apoiada pelo senso de preparação decorrente da experiência
de atleta, Kristie iniciou então um programa de recuperação baseado em
fisioterapia, estímulos por aparelhos e exercícios. Em seis meses, não tinha
obtido ainda nenhum resultado. Ela conta que "Era muito jovem, com muita raiva,
e isso me ajudou a insistir." Finalmente, aos poucos, os movimentos foram
voltando e; em 2 anos e meio, tinha se recuperado.
Hoje, Kristie é jogadora de pólo, a melhor do Brasil. Fundou o
primeiro time de pólo feminino do país, As Amazonas, para disputar torneios aqui
e no exterior. Também está praticando remo.
Kristie assim sintetiza sua filosofia de vida e de busca:
"Só disciplina, só empenho, só vontade de lutar não bastam. Se
você não tiver amor pelo que você está fazendo, se você não conseguir fazer com
diversão, com reverência, com alegria, normalmente as coisas não dão certo."
Virgílio Vasconcelos Vilela
Baseado em matéria do Esporte Espetacular,
www.globo.com