"Estava viajando, em casa de familiares, e acabei
servindo de motorista para uma pessoa com necessidades especiais. Nesse
papel, ora dirigia meu carro, de câmbio manual, ora outro, automático.
Sem prática com este, toda hora meu pé esquerdo 'queria' pisar na
embreagem, não obstante minha intenção de que ele ficasse
quieto. Eu sabia que com o tempo eu me acostumaria, mas queria que isso
acontecesse mais rápido."
"Refletindo sobre o que poderia fazer, me veio uma idéia algo
estranha de 'colar' o pé no chão do carro. Sem nada a perder e sem outras
opções, decidi tentar essa. A imagem do meu pé esquerdo colado já estava em
minha mente por ter pensado nela, assim apenas dei um reforço, como tentar puxar o pé e não
conseguir. E não é que funcionou? O pé esquerdo ficou comportado até
retornarmos."
"Mais tarde, ao novamente dirigir o carro automático, o pé
esquerdo tentou acionar a embreagem ao dar a partida. A explicação 'lógica'
naturalmente foi: 'Ops, esqueci de colar o pé!'. 'Colei-o' de novo e tudo
certo."
"Para mim aquela era uma mudança de paradigma: um pensamento
simbólico para obter um resultado prático? Isso parecia abrir um imenso leque de
novas possibilidades. Por exemplo, para prestar mais atenção, posso imaginar
minhas orelhas bem grandes, botar um holofote com foco no rosto da pessoa ou
ambas as opções. Se notar que estou falando demais, costuro os lábios. Se um objetivo
estiver algo instável, posso pregar
uma imagem representativa dele no meu espaço mental... com fita crepe!