O dr. Herbert Benson, que tem escrito muito sobre a
relação mente/corpo, conta algumas histórias espantosas do poder do
vodu em diferentes partes do mundo. Numa tribo de aborígines
australianos, médicos feiticeiros praticam um costume chamado
"apontando o osso". Consiste em jogar um encanto mágico tão
potente que a vítima sabe, com absoluta certeza, que apanhará alguma
doença terrível, e talvez morra. Foi assim que o dr. Benson descreveu
uma dessas ocorrências, em 1925:
"O
homem que descobre que está sendo ‘ossado’ por um inimigo é, em
verdade, uma visão lamentável. Ele fica horrorizado, com os olhos
fixos no traiçoeiro ponteiro, e suas mãos se levantam como para
afastar o meio letal que ele imagina que está entrando em seu corpo.
Suas faces empalidecem e seus olhos tornam-se vidrados, e a expressão
de seu rosto torna-se horrivelmente distorcida... Ele tenta gritar, mas,
em geral, o som morre em sua garganta, e tudo que se pode ver é a
espuma em sua boca. O corpo começa a tremer e os músculos se contraem
involuntariamente. Ele balança para trás e cai no chão e, pouco tempo
depois, parece estar desmaiado; mas, logo depois, estremece como se
tivesse em agonia mortal e, cobrindo seu rosto com as mãos, começa a
gemer... Sua morte é só uma questão de pouco tempo."
Para você, não sei, mas para mim essa é uma das
mais vívidas e apavorantes descrições que já li. Mas é também um
dos mais imaginosos exemplos relatados do poder da fisiologia e da crença.
Em termos convencionais, nada estava sendo feito contra aquele homem,
nada mesmo. Mas o poder de sua própria crença e a força de sua própria
fisiologia criaram uma força negativa, terrivelmente potente, que o
destruiu por completo.