É importante ressaltar que uma metáfora somente
alcança seu objetivo quando introduzida diretamente no inconsciente da
pessoa. Para isso, é imprescindível que a pessoa esteja num estado
alterado de consciência: em hipnose, num cochilo diante da TV, pouco
antes do sono noturno etc. Para maior efetividade, a sugestão é que o
terapeuta que aplicará a metáfora primeiro acompanhe a respiração da
pessoa; em seguida, esse terapeuta pautará o ritmo de sua voz pelo ritmo
da respiração da pessoa que receberá a metáfora. Não é aconselhável ter
pressa, nem ansiedade, dois fatores que podem atrapalhar um bom
trabalho.
Devemos ainda considerar que um câncer pode ter sua
origem em conflitos internos da pessoa: insatisfações diante da vida,
sentimentos profundos de perdas, frustrações etc. Será preciso trabalhar
esses conflitos. O modo como uma pessoa encara a vida define também sua
saúde física, além é claro de sua saúde emocional.
A metáfora
“Num país, não muito longe daqui, vivia um grande
general. Sua tarefa era proteger o país e assegurar que todos os
habitantes vivessem em paz e harmonia. Para fazer isso, ele mantinha um
exército em prontidão e um exército de reservistas, o qual podia ser
chamado em condições especiais. Ele também mantinha um serviço secreto
cujo trabalho era detectar qualquer espião ou invasores externos. Todos
os membros do exército, os reservistas e os do serviço secreto foram
cuidadosamente treinados para tarefas específicas designadas para cada
grupo. Os membros do exército e do serviço secreto eram soldados em
tempo integral, mas os membros reservistas eram civis que ocupavam, na
maior parte do tempo, posições na comunidade e que foram treinados para
atuar na guerra apenas em casos de emergência.
Por muitos anos, esse país viveu em paz e harmonia. Os
habitantes de cada vila e cidade, bem como aqueles das grandes cidades,
trabalhavam e divertiam-se juntos e viviam a vida na sua plenitude.
Todos, isto é, exceto alguns membros do exército e do serviço secreto.
Como eram treinados para guerra, eles começaram a ficar descontentes por
não fazerem nada, apenas aguardando e não tendo nenhum lugar para usar
suas altamente treinadas habilidades de guerra. Alguns deles decidiram
ir para o interior e provocar algum excitamento.
Os desertores do exército partiram para uma pequena
parte da zona rural e começaram a atormentar os habitantes locais. Os
habitantes não tinham experiência com guerra, e assim se tornaram
vítimas fáceis dos habilidosos desertores. Outros membros do exército,
vendo a excitação, se evadiram e se juntaram ao esquema. Eles se
vestiram com roupas iguais aos dos habitantes locais e se infiltraram
nas atividades da comunidade. Eles tentaram se adaptar à comunidade,
usando suas habilidades de guerreiros, mas sempre provocavam destruição
no seu caminho. Os invasores se pareciam muito com os habitantes locais
e eram difíceis de serem detectados.
Devagar no início, mas aumentando rapidamente, o
trabalho na comunidade chegou a um impasse. Cada vez mais desertores do
exército se envolviam na tentativa de conseguir a sua parte nos saques.
O processo prosseguia de cidade para cidade até que um grande clamor
começou a se erguer em todo o interior – um grito de alarme. O
governador da área tomou consciência do problema e enviou todos os
combatentes que ele pode reunir, porém, agora, os desertores do exército
eram muitos e altamente habilidosos. Além disso, eles não conseguiam
distinguir os desertores dos habitantes locais.
Finalmente, o governador emitiu uma solicitação ao
general do exército. (O general não tinha sido avisado do problema até
esse momento.) O general imediatamente tentou chamar de volta os
desertores, mas eles não o obedeciam mais. Ele chamou o governante do
país e este tentou convencê-los pela lógica, mas eles também não o
escutaram. Os desertores somente continuavam a crescer em número e a
destruir o interior. Um governante vizinho sugeriu que fosse colocada
comida envenenada por todo o interior para tentar envenenar os
renegados. Isso funcionou um pouco e alguns foram mortos; porém, também
muitos dos habitantes locais.
O general e o governante pensaram e pensaram. Por fim,
eles delinearam um plano. O general secretamente chamou seu serviço
secreto especial e lhes deu um treinamento específico de como distinguir
os habitantes locais dos desertores treinados para guerra. A eles foi
ensinado como fazer um exame detalhado, pois existiam pequenas
diferenças na constituição física. Os soldados eram mais fortes e mais
ativos do que os habitantes locais. Também tinham uma expressão
diferente nos olhos e padrões de respiração diferente.
O pessoal do serviço secreto especial foi instruído
para colocar as roupas dos habitantes locais e se infiltrarem nas vilas
e cidades, localizar os soldados desertores e injetar neles um soro
especial (conhecido apenas pelo serviço secreto e o general) que os
fariam dormir.
O serviço secreto iria depois levar esses soldados
adormecidos para um local de re-treinamento no interior onde seriam
reabilitados para o seu trabalho original. Aqueles que não pudessem ser
reabilitados seriam banidos do país. Os guardas do serviço secreto
especial foram treinados e colocados para proteger contra qualquer
repetição futura de natureza similar.
Deste modo, a paz e a ordem foram restauradas no país
fazendo com que os habitantes locais das vilas, cidades, metrópoles e da
totalidade do país voltassem a ficar contentes de novo. O governante
estava contente, o povo estava contente e o general e o exército estavam
contentes.”
Robert Fletcher
Professor (especializado em ensinar crianças),
certificado para ensinar no grau secundário, Educação Industrial,
Educação de Surdos, tem ensinado pessoas cegas e surdas nos últimos
anos. É Master Practitioner de PNL, hipnoterapeuta certificado e mantém
uma clínica particular.