Nas férias, hospedado em uma pousada, jogávamos gamão
todos os dias. Ganhei a maioria das partidas, e quando perdia, era por
pouco. Qual não foi a minha surpresa quando, ao jogar com o dono da
pousada, perdi todas (3 partidas), sempre no sufoco, lutando para não
levar um backgammon, a pior vergonha do jogador de gamão. Os pontos dos
dados pareciam sair do jeito que ele queria, enquanto que para mim nunca
sorriam. No final ele disse, meio que se desculpando: "É que eu
joguei para ganhar".
Achei que havia algo errado. Onde estava a lei das
probabilidades? Lembrei-me de algo que meu parceiro dissera, que era uma
pessoa de acreditar muito em que podia fazer as coisas. Eu ouvira vários
casos dele, de resolver todo tipo de problema, inclusive costurar cortes
em pessoas (o lugar não tinha médico). Fiquei com esse episódio na
cabeça.
Outro dia, já de volta, jogava truco no clube. Para
você que não conhece, para ganhar uma queda de truco deve-se ganhar
dois jogos em no máximo três, de 12 pontos cada um. As cartas têm
valor sobre outras, e há quatro cartas maiores, chamadas
"manilhas". Meu parceiro e eu tínhamos perdido o primeiro
jogo e estávamos perdendo o segundo, quase dando lugar à próxima
dupla.
Um dos meus adversários, que eu conhecera no dia,
estava incomodando com seus comentários e eu me irritei, estava jogando
descontraidamente. Lembrei-me da experiëncia do gamão e pensei:
"Será que consigo fazer o mesmo?". Meio que por vingança,
resolvi "jogar para ganhar". Decidi adotar internamente uma
atitude de "já ganhei", a melhor que podia, já que não
tinha certeza de como fazer.
O
que se seguiu foi fantástico. Primeiro, ganhamos o jogo quase perdido,
forçando a melhor de três. Nesta, o jogo ficou 11 a 11. Era a última
mão e quem ganhasse, levava. O adversário "incômodo" deu as
cartas, três para cada. Ao olhar as minhas, quase que não acreditei:
eu estava com as três maiores cartas do truco (zap, 7 de copas e
espadilha), sendo que para ganhar bastavam as duas maiores. Fiquei eufórico,
não só porque ganhara a queda, como também por ter funcionado minha
estratégia. E para eliminar qualquer possibilidade de coincidência,
meu parceiro estava com a quarta maior carta, o 7 de ouros!
Depois disto ainda ganhamos facilmente das duas duplas
que se seguiram. E desta vez eu é que estava diante de adversários
reclamando que nada dava certo!
Virgílio Vasconcelos Vilela
(Comentário: Você pode estar questionando se as
experiências foram suficientes para mudar uma crença. A princípio,
acreditar que se pode influenciar algo "mentalmente" faz parte
da nossa cultura, como por exemplo as ações de "torcer" por
um time ou atleta e rezar para conseguir algo ou por alguém. Além
disso, e baseado nas aplicações dessa crença que se seguiram às
experiências descritas acima, a atitude de agir "como se
fosse" me despertam idéias, comportamentos e emoções que me
conduzem à direção desejada. Face a isto, realmente não estou me
importando se é "verdade" ou não, já que os benefícios têm
sido imensos e empolgantes).
DEPOIMENTOS
"O poder do condicionamento é incrível.
Colocando nosso corpo e nossa mente em sintonia, podemos realizar qualquer
façanha. É muito bom termos exemplos assim, pois ativam a nossa
curiosidade em aplicar a mesma coisa. É extremamente curioso."