Percebemos, entendemos o mundo e fazemos escolhas a
partir dos nossos modelos mentais. Veja nesta matéria vários papéis
dos modelos mentais na nossa inteligência e uma atividade para você
comprovar isso no nível experiencial.
Os modelos mentais atuam na nossa inteligência
exercendo as seguintes funções:
Guiar a percepção e a atenção – Diante de uma
situação qualquer, nossos modelos nos conduzem a prestar atenção
em algumas coisas em detrimento de outras. Um jornalista político,
por exemplo, será atraído prioritariamente para um fato que possa
virar uma notícia também política. Se ele passa por uma esquina e
percebe um acidente comum, talvez não vá conferir. Mas se o acidente
envolve um político famoso, ele simplesmente não vai poder deixar de
lado o acontecimento. Agora imagine que junto com o político
acidentado havia uma mulher que não era sua esposa...
Nossos modelos guiam nossa atenção de várias
formas. De maneira geral, prestamos atenção no que é importante,
perigoso, útil (por exemplo, para algum propósito que temos), novo,
interessante ou no que a princípio nos parece ser essas coisas.
Note que tudo isso é muito pessoal; o que é importante, útil ou
perigoso depende dos modelos mentais e das intenções de cada um. Como
disse um humorista, não existe piada velha; existe gente que a conhece
e gente que não a conhece.
Veja a atividade abaixo para verificar melhor essas
afirmações.
Guiar a cognição – O que significam os fótons,
vibrações do ar e sensações táteis que recebemos? Vibrações
fortes do ar se chamam “vento”, enquanto que outras mais fracas se
chamam “som”. Alguns sons são “música”, enquanto que
outros são “falas” e devem ser compreendidos. Ventos fracos, ou
“brisas”, não requerem ação, enquanto que ventos muito fortes,
ou “ventanias” e “furacões”, ensejam providências.
Sensações de dor na coxa podem ser um “problema
no ciático” ou “uma dor passageira”, e cada interpretação
conduz a cursos de ação diferentes ou a nenhum. Uma vez tive uma “dor
de dente” e a dentista abriu onde indiquei sem nada encontrar.
Posteriormente a dor foi identificada como sintoma de uma sinusite.
Nossa cognição vai mais além. Para sabermos o que
fazer, muitas vezes precisamos saber o que está acontecendo ou que
acontecimentos conduziram à situação atual. Por exemplo, Se o
Windows inicia anormalmente com uma tela azul de verificação de
disco, posso compreender o porquê se me lembrar de que desliguei o
computador sem desligar o Windows. Se não fiz isso, posso deduzir que
outra pessoa o fez, ou que faltou energia. Tudo isso é guiado pelos
modelos mentais, que contém conhecimentos sobre como o Windows
funciona, apoiados pela lembrança de percepções e experiências .
Definir objetivos e estratégias – Percebemos, compreendemos e interpretamos o mundo e agora precisamos fazer
algo para conseguir o que queremos. O que fazer? Como fazer? Quando
fazer? É preciso mesmo fazer algo ou podemos deixar as coisas
acontecerem? Será melhor buscar informações? Ou será melhor dizer
alguma coisa? Em que tom de voz? Nossos modelos nos dizem o que é
possível, do que somos capazes, as ações possíveis em cada
situação, do que é provável que funcione e do que com certeza não
vai funcionar.
Tomar decisões – Uma vez que temos
disponíveis as ações possíveis, temos que escolher. Nossos modelos
mentais nos informam o que é mais importante, o que é prioritário ou
não, na forma de critérios de decisão. Por exemplo, se você é um
gerente de uma empresa e está negociando com outra, o que é
importante: atender ao interesse da sua empresa? Atender aos interesses
de ambas as partes de forma equilibrada? Existem pessoas que nessa
situação atendem prioritariamente aos seus próprios interesses...
Sentir - Se você escuta um som suspeito lá
fora, pode ser que sinta medo. De onde vem o medo, do som? Na verdade o
medo advém de você imaginar algum perigo, do modelo mental que está
elaborando da situação. Se você cria coragem (usando também seus
modelos), vai lá e verifica com certeza que é um gato, seu modelo é
atualizado e você volta à calma.
Boa parte do que sentimos é influenciado pelos nossos
modelos mentais. Às vezes temos consciência deles, outras vezes nem
desconfiamos.
Teste isso e verifique por si mesmo: imagine por um
momento que você está morrendo de fome e saboreando sua guloseima
predileta, com a melhor boa do mundo. Eu fiquei com água na boca só de
escrever... De quebra, note a capacidade que você tem de facilmente fazer de conta
que está em uma situação diferente da atual, você vai usá-la a
seguir.
Verificando a influência
Como uma verificação mais apurada da influência
dos modelos mentais na percepção e cognição (e consequentemente
nas escolhas), note o direcionamento da sua
atenção ao observar a imagem a seguir com os olhos das pessoas
indicadas. Preste atenção em algo ao seu redor por um segundo antes
de fazer o próximo, para desativar melhor a intenção anterior.
a) Alguém que adora
praia e há um ano não vai a uma;
b) O responsável pela
segurança dos hóspedes do hotel-parque que existe ali,
trabalhando;
c) O responsável pela
segurança dos hóspedes do hotel-parque que existe ali, de
folga;
d) Alguém que ama
praia, está estressado e há cinco anos não vai a uma;
e) Um fisioterapeuta
especializado em RPG (Reeducação Postural Global);
f) Alguém
muito curioso, que tem uma compulsão por ler tudo que há para ler
g) Alguém a quem foi
pedido que criticasse a qualidade da fotografia, no que se refere ao
enquadramento;
h) Uma pessoa muito
religiosa;
i) Alguém
que está fazendo um jardim em casa e está procurando idéias;