Eu
poderia falar aqui várias capacidades que você tem, mas prefiro lhe falar das
capacidades que observo no meu cachorro, na suposição de que se animais podem
fazer algo, humanos também podem. Aceitável, não? E realmente, acho que meu
cachorro Kirus, um maltês (o mesmo cachorro
que mudou o mundo), muito esperto.
Para
começar, ele tem uma incrível capacidade de reconhecer padrões. Se você
repetir um comportamento três ou quatro vezes, ele detecta e começa a usar
aquilo para alguma coisa. Por exemplo, por três dias acorde, vista a roupa e
leve-o para passear, e no quarto dia assim que você vestir a roupa ele já
está louco atrás de você para sair. Aliás, isto evidencia outras capacidades
que ele tem: de lembrar algo que aconteceu e usar isto para projetar o que vai
acontecer no futuro próximo. e ainda pode ligar o acontecimento a palavras.
Experimente falar a palavra "passear" para o Kirus; ele fica maluco,
acelera a respiração e fica pulando na porta. Bem, isto depende também do tom
de voz que você usa, o que ele distingue muito bem.
Desde
bem pequeno, ele adora brincar com uma de minhas mãos, como se fosse outro
cachorro. De vez em quando eu dava uma rasteira nas suas patas dianteiras. Logo
ele aprendeu a rapidamente levantar as patas e escapar. Outra hora ele vinha e
era jogado longe. Rodopiava e vinha de novo. Após algumas vezes, passou a vir
meio de lado, se protegendo do golpe. Ou seja, diante de uma situação, Kirus
é capaz de gerar novas alternativas de ação para se proteger. Outra
evidência disto é quando fica sem água ou ração: ele pede o que quer
fazendo barulho com a patinha na vasilha. Sem falar nas vezes em que ele tentou
induzir alguém a levá-lo para passear indo e voltando da porta todo sapeca.
Se
você tampa seus olhos ou o cobre todo com um cobertor, por exemplo, ele
continua a perseguir a mão ou outra coisa que esteja fazendo. Isto quer dizer
que ele é capaz de manter no cérebro uma representação das coisas, um mundo
virtual, que ele usa para se guiar quando não está enxergando. Imagine a
capacidade de processamento que o bicho deve ter para fazer todas essas coisas.
Com
aquele cérebro diminuto (comparado com o nosso), ele ainda é capaz de sentir
emoções, como ficar ansioso (ao perceber que vai passear), deprimido (como
quando ficou sem sua "família"), alegre (quando ganha um presente),
indiferente (quando chamamos às vezes ele vem, às vezes não) e afetuoso (com
quase todo mundo).
É,
há mais coisas na natureza do que minha pobre filosofia tem capacidade para
supor.