Há vantagens em se repetir certos
comportamentos; aprendemos, criamos hábitos. E será que pode haver
alguma vantagem em se fazer algumas coisas de um jeito diferente?
Edward de Bono (em Criatividade
Levada a Sério) já dizia que o cérebro tende a repetir caminhos
muitas vezes trilhados. Daí ele criou as várias técnicas de
pensamento lateral, cujo objetivo é buscar novos caminhos para as idéias
(veja por exemplo a técnica do estímulo
aleatório). O fato é que pode ser também muito divertido. Tente
por exemplo vestir uma calça começando com a outra perna; é uma sensação
das mais esquisitas. Que tal o desajeitamento de escovar os dentes ou
pentear os cabelos com a outra mão? Ou começar a esfregar-se, no
banho, pelos pés? Pior, tomar um banho no escuro!
Criar o hábito de fazer pequenas coisas de forma
diferente, além de não custar nada além de um período de familiarização,
vai fazer com que o seu cérebro aprenda o padrão e se direcione para gerar regularmente novas idéias e
possibilidades. E é claro que a vida, com novas possibilidades,
pode ficar ainda mais interessante.
Se você gostou da proposta, veja abaixo um depoimento
sobre aplicação do princípio e um poema de Edson Marques com muitas
idéias.
Virgílio Vasconcelos Vilela
Explorando caminhos da cidade
Sou representante de calçados em Belo Horizonte.
Criei o hábito de buscar caminhos diferentes, ao dirigir para visitar
clientes, ao voltar para casa e em outras situações. Às vezes
simplesmente sigo alguma intuição de dobrar uma esquina. Com isto,
conheço os caminhos de BH como poucos.
Há algum tempo, trouxe um amigo do interior para
trabalhar comigo, morando na mesma casa. Ele me perguntou qual era o
melhor caminho de casa ao escritório. Ao invés de responder,
contei-lhe o que fazia e sugeri que fizesse o mesmo. Ele comprou a idéia
e começou a explorar ruas e avenidas. O resultado foi que, em três
meses, passou a dirigir por onde queria em BH como se morasse aqui há
anos.
Sérgio "Pimenta" Arruda
Belo Horizonte/MG
Mude
Mas comece devagar,
comece na sua velocidade.
Sente-se diferente, em outra cadeira,
no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, ande pelo outro lado da
rua,
depois mude de caminho,
ande por outras ruas, mais devagar,
observando os lugares por onde passa.
Tome outros ônibus, se for o caso.
Mude por uns tempos o estilo das roupas,
dê os seus sapatos velhos,
procure andar descalço por uns dias.
Tire uma tarde livre
para passear no parque ou na praia.
Saia sozinho para ouvir o canto dos pássaros.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra gavetas e portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama.
Depois, de ponta-cabeça.
Assista a outros programas de tv,
compre outros jornais,
leia outros livros,
viva outros romances.
Troque de carro.
Não faça do hábito um estilo de
vida.
- Ame a novidade.
Corrija a postura, faça ginástica, durma mais tarde, ou acorde mais
cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia
numa outra língua.
Escolha novas comidas, temperos, cores,
diferentes delícias.
Experimente a gostosura da pouca
quantidade.
- Tente o novo todo dia.
O novo lado,
o novo método,
o novo jeito,
o novo sabor,
o novo prazer,
o novo amor.
- A nova vida.
Faça novos amigos, mantenha novas relações,
almoce em outros lugares,
vá a outros restaurantes,
tome outros tipos de bebida,
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde - ou vice-versa.
Escolha outro mercado,
outra marca de sabão, novos cremes.
Tome banho em horários variáveis.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
(Comece agora uma viagem para bem longe
do aqui.)
Faça amor de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira, de malas.
compre novos óculos,
escreva outras poesias, jogue fora o despertador.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, novos cabeleireiros,
outros teatros.
Visite novos museus.
- Mude.
Você conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento, o dinamismo,
a energia.
Dessa forma, apenas dessa forma - você
viverá.
- Só o que está morto não muda!