Uma vez, quando minha filha tinha três anos, ouvi um
grito apavorado vindo do seu quarto. Corri para ver o que estava errado
e encontrei Jessica sentada na cama berrando que havia um monstro no seu
quarto. Como não o encontrei, ela disse que eu o tinha espantado ao
entrar no quarto e que ele tinha se escondido embaixo da cama.
Abaixamo-nos apoiados nas mãos e joelhos e olhamos. Ela assegurou-me de
que aquele monstro era seu. Eu disse que desde que o monstro era dela e
ela mesma o tinha criado, ela poderia fazê-lo ficar de qualquer tamanho
que quisesse. Podia torná-lo maior, mas isto seria muito amedrontador.
Podia também torná-lo menor. Isto a agradou e ela o fez encolher para
um confortável tamanho de ursinho de pelúcia.
Naquela noite saímos para jantar e é claro que
Jessica levou seu agora-amigável monstro com ela. Na volta, lamentações
vindas do banco de trás e Jessica, chorosa, explicava que tinha
esquecido seu monstro no restaurante. Seu irmão, um sofisticado garoto
de 6 anos, disse, "Tudo bem, Jess, ele está aqui no meu
bolso".