Em outra matéria, sugerimos opções para enriquecer
o aprendizado, ações colaterais ao processo. Nesta, as sugestões são para
melhorar o processo em si e seus resultados.
O conhecimento muitas vezes é apresentado em formato
discursivo ou prosa. Embora apropriado sob alguns aspectos, esse formato
não é o ideal para se aprender, principalmente porque é seqüencial, enquanto que as
idéias nele representadas podem ter e quase sempre têm outra estrutura, como
por exemplo em árvore. Além disso, textos discursivos contém muitas
palavras com função apenas sintática e isentas de significado, como artigos e preposições.
A alternativa é estruturar a representação do
conhecimento, elaborando esquemas, tabelas e diagramas do conteúdo, usando
palavras-chave e possivelmente ilustrações. Ao estruturar conhecimento, você o transforma em blocos ou
segmentos, o que lhe permite estruturar também seu planejamento de estudo, uma
aplicação do princípio dividir-para-conquistar: "Aquela parte eu já sei,
agora vou estudar agora aquela outra".
Certamente você já assistiu a aulas com apresentações em Power
Point. E certamente já viu slides de dois tipos: um cheio de texto, com muitas
frases por vezes longas, e outro estruturado em tópicos representados com
palavras-chave. As diferenças na facilidade de acompanhar o que o apresentador
fala e para compreender e reter o conteúdo derivam diretamente do grau de
estruturação desse conteúdo. Como uma outra referência de comparação entre
conteúdo discursivo e estruturado, experimente descrever uma
planilha, mesmo uma pequena.
Uma opção de ferramenta de estruturação de boa aplicabilidade
são os mapas mentais, diagramas hierárquicos, sintetizados e
possivelmente ilustrados de um tema. Elaborá-los é uma ótima
estratégia de estudo e revisões feitas com mapas mentais serão muito
ágeis. Veja
Recurso de inteligência: Mapas Mentais. O MS-Office tem uma
ferramenta de elaboração de diagramas que também pode ser interessante.
Qual é o seu nome? Quantos anos você tem? O que comeu
no café da manhã? Qual foi uma de suas experiências mais prazerosas?
Perguntas tem um poder provocador muito forte, elas induzem o ouvinte ou
leitor à busca por uma resposta, muitas vezes automaticamente: o
perguntado não tem opções, tipo "Eu sei a resposta mas não vou buscá-la
agora".
Uma boa opção portanto é gerar perguntas abrangentes do conteúdo.
Conceber as perguntas é estudar, respondê-las é estudar, e as
perguntas podem ser usadas depois para verificação de aprendizagem. Se em grupo, um
conteúdo pode ser dividido entre os componentes e uns estudam usando as
perguntas dos outros.
Iterar é passar várias vezes pelos mesmos pontos ou
etapas, sucessivamente melhorando e evoluindo. Isso significa, para estudo, repassar, ter contato com o mesmo
conteúdo várias vezes. Cada passagem vai fixar um pouco mais seu
aprendizado, além de novas possibilidades de compreensão poderem
surgir, ou seja, aprofundamento. Maior aprofundamento, maior
estabilidade do aprendizado. Uma outra vantagem de iterar é que você não
tem a expectativa de aprender tudo em uma mesma sessão, o que atenua ou
elimina eventuais ansiedades, o que por sua vez lhe permite ficar mais
tranquilo e presente, o que também contribui para melhor rendimeno..
Cada iteração pode ter um objetivo. Por exemplo, a primeira é
superficial, só para ver o que há por lá. A segunda pode ser para buscar a estrutura
do conteúdo. A terceira pode ser para gerar perguntas fundamentais, a próxima
para perguntas sobre detalhes. Você pode incluir também iterações apenas para
revisão. Se tiver os conhecimentos estruturados, como sugerido acima, a
produtividade de revisão será bastante alta.
4)
Fale sobre
Falar sobre algo,
na superfície, parece uma coisa simples, mas não o é absolutamente.
Para dizer coisas sobre um assunto, você precisa primeiro recuperar
suas lembranças e conhecimentos relacionados. Depois precisa filtrar o que sabe e
selecionar sobre o que vai falar especificamente, usando critérios de importância. No
caso de conhecimentos que não estejam em um formato linguístico,
você precisa ainda gerar descrições sobre o que selecionou. Conforme
as pessoas ou público a quem se dirige, ainda precisa adaptar sua
linguagem, usando termos que eles conheçam. Você também tem que
estruturar o que vai dizer, normalmente a comunicação tem
introdução, desenvolvimento e conclusão. Sua fala poderá ter ainda
outras restrições, como um limite de tempo.
Assim,
falar sobre algo requer vários tipos de habilidades cognitivas e motoras, o que
torna a ação de explicar ou falar sobre algo uma poderosa opção . Quem não tem
pelo menos uma
experiência de explicar algo e, sem que a outra pessoa
responda, ter a sensação de que estava entendendo melhor o tema?
E já que o interlocutor nem precisa falar nada, embora possa contribuir, ele
pode ser você mesmo, um espelho ou... seu bicho de estimação. A idéia para esta
matéria veio nesse contexto; o autor estudando uma disciplina chamada
Cibernética, olhou para o cachorro e começou a ensinar Cibernética para ele.
Bem, isso pode ser também divertido...
Uma variante poderosa é
discutir o conteúdo. Vi uma pesquisa uma vez sobre um curso on-line; os alunos
foram perguntados sobre qual recurso tinha proporcionado maior aprendizado. Os
dois recursos mais votados foram exatamente o bate-papo e o fórum. Discutir
também pode contribuir para enriquecer, aprofundar e corrigir seus
conhecimentos.
5) Use o conteúdo sem consulta
Uma característica do aprendizado é que tendemos a fazer algo
da forma como o aprendemos. Se você aprende a tocar um instrumento como o violão
olhando para o braço dele, não só tenderá a olhar novamente ao tocar uma música
como talvez até precise disso. Se tiver a oportunidade de assistir
alguém cantando com um aparelho de videokê, veja como muitas continuam
olhando para a letra de música mesmo quando já a conhecem de trás
para a frente.
Assim, se você responder a
exercícios e resolver problemas olhando para uma fonte de conhecimento,
vai se acostumar e fazer isso, só que tipicamente não terá a fonte ao
fazer uma prova.
Faça uma distinção bem clara:
agora estou estudando, agora vou aplicar o que estudei em algo. E ao
aplicar um conteúdo, jamais o faça olhando para textos ou figuras. Se
o fizer, a ação de olhar o texto estará se incorporando às suas
habilidades cognitivas. Olhe quantas vezes for preciso para relembrar, mas não olhe ao
USAR a informação. Com a prática isso vai ficando gradativamente mais
fácil e sua memória vai inclusive melhorar.
6) Teste
Quantas
cozinheiras você conhece que servem um prato de fogão sem prová-lo antes? E
quantos erros você já viu em livros, propagandas e e-mails porque alguém não deu
um último olhar? Na verdade, as pessoas e empresas que fazem bons produtos não o
fazem porque são perfeitos, mas sim porque tem etapas de revisão, de controle de
qualidade.
Isso vale para o aprendizado: a segurança de que você aprendeu
um determinado conteúdo virá do fato de esse conteúdo ter passado por algum tipo de teste, avaliação ou verificação.
Note a diferença: não é você se sentir seguro, mas sim você se sentir
seguro com relação a um conteúdo. Sentir algum grau de insegurança
relativa a um conteúdo também pode ser útil: a insegurança significa e indica que ou o
conteúdo não foi testado ou você precisa se dedicar mais. Sobre isto, veja o
modelo 3 em Inteligência
Emocional: Modelos de intervenção emocional
Se
elaborar perguntas, pode usá-las para testes. Usar o conteúdo para alguma
finalidade ou falar sobre ele, como sugerido acima, também são formas de teste.
7) Capacite-se
De vez em quando, procure opções para sua
capacitação para aprendizagem, e inclua em seu repertório algo novo.
Por exemplo, você tem várias opções nesta matéria; pode incorporar
uma por mês, digamos; e em seis ou sete meses terá multiplicado seu potencial de aprendizagem.
Bem, se você está convicto de que está pronto, é perfeito ou
sabe tudo sobre aprender a aprender, o que você tem mesmo é um bloqueio para sua
própria evolução!
8) Estabeleça
múltiplas linhas de ação
Para sermos realistas, há um certo grau de incerteza, mesmo
que pequeno, quando a alcançar qualquer objetivo. O fato de haver incerteza
determina que há uma probabilidade maior ou menor de atingir o objetivo.
Em outras palavras, existe o risco de não atingi-lo por alguma razão, nem sempre
sob controle. Aceitar e considerar isso é um importante fator de maturidade
pessoal e de qualidade de decisões.
Isso se aplica à aprendizagem e ao objetivo ou aos objetivos
que a aprendizagem pretende atingir. Uma forma de lidar com esse risco é
estabelecer múltiplas linhas de ação, cada um levando ao objetivo: ler, gerar perguntas, fazer exercícios, resumir, revisar,
estruturar, verificar, aplicar, discutir, incubar, descansar. A combinação de
linhas de ação - formando uma estratégia - aumenta a probabilidade de que um
conteúdo esteja estável e acessível quando você precisar. E, convenhamos: 90% de
acessibilidade em termos de conhecimentos é considerado excelente em
praticamente qualquer situação, exceto se você exigir de si um impraticável
perfeccionismo absoluto.