Todos nós fazemos exercícios, seja regularmente ou
de vez em quando, seja por prazer ou necessidade: ginástica da escola, academia,
fisioterapia e suas variantes e outras. Recebemos orientações sobre como são os movimentos
dos exercícios, mas dificilmente são fornecidas orientações sobre a
melhor maneira de executá-los. Esta matéria contém opções para
melhorar a qualidade dos seus exercícios e conseqüentemente dos
resultados, com efeitos também na motivação para fazê-los. Em função de
como você faz os exercícios (individualmente, em grupo), será mais ou
menos viável inserir uma ou outra opção.
Para facilitar a lembrança do conteúdo e sua aplicação, as
opções são organizadas em antes (preparação), durante (execução) e depois
(finalização), e é fornecido um mapa mental com um resumo das opções.
Antes
1) O que você pretende?
Quem viaja vai para um destino. Quem corre, pretende
correr em competições ou ter um corpo saudável. Pense por um momento se
você dá um passo sequer sem um objetivo.
Às vezes podemos perder o contato com o que
pretendemos, ou não tê-lo bem definido. Antes de uma sessão de
exercícios, portanto, pode ser interessante reativar em sua mente o que
pretende com eles, na forma de imagens bem presentes, claras, nítidas.
Por exemplo, se seu objetivo é melhorar a postura, como estará seu
corpo quanto já tiver conseguido? Se quer maior flexibilidade, que
movimentos será capaz de executar?
Se quiser fazer isso com um mínimo de esforço, você
pode visualizar apenas pistas do que quer e o modelo mental é
construído por pressuposição, um processo natural em nós. Por
exemplo, se sua intenção é terminar uma maratona, visualize-se
cruzando a linha de chegada: várias coisas têm que acontecer para que
isso se torne possível e faça sentido. Imagine um bíceps que terá
que imaginar o corpo em que ele está, mesmo que o foco esteja só no
bíceps.
Um bom aspecto da nossa inteligência é que podemos
imaginar o que queremos sem necessariamente ter que planejar como chegar
lá. Isso signfica que você pode imaginar à vontade o que quer ou vai
querer sem a princípio vínculos com o plano para conseguir o que quer.
Se um plano inicial surgir espontaneamente quando você trabalhar o
objetivo, melhor.
2) Por quê?
Não viajamos só para chegar no destino; há coisas
que queremos fazer lá. Viajamos, por exemplo, para descansar,
divertir-nos, estar com alguém, entre outras possibilidades. Nossa
motivação está principalmente relacionada a essas cadeias de
porquês. Porém, aqui também podemos perder um pouco do contato com nossos
porquês, ou não tê-los tão bem definidos quanto poderiam ser.
Assim, antes de um exercício, e tendo o objetivo bem
ativo, pense, reative ou
elabore o que você pretende atingir ou obter após ele. Por
exemplo, porque alguém quer ter um corpo escultural? Uma possibilidade
é para ser admirado. Se é isso que você quer, então elabore os
filmes apropriados. A motivação pode envolver ter saúde, sentir-se
saudável, disposto. A
motivação pode envolver vários fatores; se você está muito motivado
para algo, é bastante provável que haja vários elementos motivadores
reforçando-se uns aos outros. Uma forma rápida de trazer à
consciência seus elementos de motivação é perguntar: "O que é
importante para mim?" Repetir a pergunta de vez em quando pode
trazer novas respostas ou aprofundamentos.
Trabalhar os elementos de motivação também serve para você aprofundar mais os
seus propósitos e eventualmente avaliá-los melhor. Por exemplo, ter o
corpo admirado por todo mundo soa pouco realista; há pessoas que
apreciam, pessoas que não apreciam e há ainda os indiferentes, sem
falar nas condições de momento. Nesse caso, uma das coisas que podem
ser feitas é selecionar o público-alvo desse objetivo e as situações
em que se deseja que a admiração aconteça: por quem
especificamente você quer ser admirado?.
3) O que você vai fazer?
Quer você vá até a geladeira fazer uma boquinha ou
vá construir um porta-aviões, além do resultado desejado e suas
decorrências, você deve
ter em mente as ações que executará para concretizar o que quer. Não
saber o que fazer a seguir, o próximo pequeno
passo, impede que você
prossiga.
Portanto, antes de iniciar uma sessão de exercícios,
visualize mentalmente quais exercícios vai fazer, sem muitos detalhes.
E antes de fazer um exercício específico, visualize com um pouco mais
de detalhe o que pretende fazer.
Não é necessário excessivo rigor quanto à execução do que
planejar: alterar e adaptar planejamentos é algo bem normal em qualquer
situação e por vezes até conveniente ou necessário. O melhor é um
equilíbrio entre constância de propósito e flexibilidade para se
ajustar.
Durante
4) Apure a técnica
Ao executarmos um exercício, podemos executar seus
movimentos com mais ou menos técnica. Por exemplo, podemos aplicar mais
esforço que o requerido. Verifique isso levantando um braço à frente
e fechando o punho com força. Agora procure soltar um pouco o braço
mantendo a posição: tipicamente é possível relaxar um pouco. Agora
verifique se você franziu a testa, tensionou os ombros ou outra
região. Se o fez, aplicou esforço além do que era necessário.
Agora imagine isso acontecendo várias vezes a cada
exercício, agravado possivelmente no caso de exercícios em grupo, em
que é preciso acompanhar alguém e mal pode dar tempo de assimilar os
movimentos.
Esta opção visa melhorar gradativamente a técnica dos exercícios. Ela
consiste em, no início do exercício, executá-lo com o foco - o objetivo
da hora - no
aperfeiçoamento dos movimentos. Você executa os movimentos devagar. A redução da velocidade é importante, para dar tempo
de você observar o que está fazendo, se lembrar de instruções e
efetuar correções. Após, executa o exercício
normalmente, sem pensar na técnica. À medida que você domina o
exercício, esta etapa pode ser reduzida e até eliminada.
No caso de exercício em grupo, você pode sugerir a quem estiver
conduzindo para dedicar alguns momentos ao aprendizado dos movimentos.
Se você for o condutor de um grupo, durante a fase lenta pode chamar a
atenção das pessoas para o que for importante: "Os ombros estão
soltos?" "O pé está para cima?" "Está
respirando?"
5) Enriqueça a técnica
Reduzir a velocidade abre caminho para a introdução
de algumas opções enriquecedoras, porque dá tempo de pensar e
buscá-las. Por exemplo, entre duas ações, relaxe na postura.
Se for algum movimento de extensão, alongue-se um pouco mais.
Outra possibilidade aqui é o reconhecimento de
progresso. Muitos resultados que obtemos, não só no esporte, são
conseqüência de muitas pequenas ações. Cada execução de um
exercício é um pequeno passo na direção do resultado. Assim, você
pode notar isso enquanto estiver na fase lenta: cada pequeno passo
conta. Isto é algo bem simples mesmo, como "fazer o movimento =
avançar".
6) Respeite seus limites
Se quiser uma forma de desistir rapidamente, fique se
cobrando ir muito além do que pode no momento, talvez provocando dores
ou cansaço além daquele limiar em que você começa a pensar em parar.
Observe seus limites e, quando for seguro, apenas estenda-os - um
pouquinho de cada vez. A opção acima para apurar a técnica
permite que você teste seus limites com mais segurança e menos riscos.
Depois
7) Reconheça
Por alguns momentos, relembre o que fez e procure
aspectos e respectivos significados: você foi disciplinado? Estabeleceu
um propósito, definiu um plano, tomou a decisão e a concretizou? Avançou
em direção ao que quer? Seu corpo, sua saúde agora estão melhores que
antes? Em que partes ou aspectos? Sua mente está mais arejada? Aprendeu
algo? Há algum outro prazer neste momento?
A cada vez que buscar reconhecimento, novos aspectos
poderão surgir, e sua
motivação aumentará ainda mais.
8) Programe-se
Aproveite este momento de contato com a sua
motivação e tudo que ela envolve para programar uma nova sessão,
visualizando-se nela e seus principais passos.
9) Relaxe e usufrua
Após terminar a sessão, premie-se com um relaxamento
horizontal e confortável por alguns minutos. Se puder por uma música leve, melhor. Este
é um momento de usufruir: suspenda todas as buscas e apenas
usufrua o momento. Esta opção também pode ser vista como um
prêmio pelo que você acabou de fazer.
Virgílio
Vasconcelos Vilela
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