LIDERANÇA & CARREIRA
Estruturando-se para liderar
Chão para pisar e mapa para se orientar
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Depoimentos
"Li e achei muito boa a matéria
"Estruturando-se para Liderar". Sou formadora e também trabalho como
consultora de Recursos Humanos. Não sei mencionar os casos de 'inadaptação' aos cargos
de liderança que encontro."
"Gostaria de solicitar a
vossa autorização para utilizar os modelos de
estruturação apresentados neste documento nas
minhas sessões de formação."
Cleuta Fraga
Porto - Portugal
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Em um treinamento de uma empresa em que trabalhamos, um
dos alunos, líder de projetos de informática, aproveitou uma oportunidade de
falar para contar que estava 'perdido'. E ele estava já há 5 meses no cargo.
Como o curso nada tinha a ver com sua posição, aparentemente era mais um pedido
de socorro.
Em outro caso, um ótimo analista de sistemas foi promovido
a gerente, inclusive como forma de premiação. Alguns meses depois, saiu de
licença e, dizem, tinha comportamentos e reações meio estranhos.
O fato é que muitas pessoas assumem algum tipo de
liderança sem a devida preparação, e muitos também não conseguem se preparar
sozinhos. Esta matéria tem o propósito de proporcionar uma visão
estruturada dos elementos envolvidos com a liderança, devidamente organizados;
um modelo que pode constituir a base para o desenvolvimento ou a evolução de um
líder. Isso é particularmente importante em um início, no qual o nível de
informação pode ser bem reduzido, e as informações muitas vezes são obtidas
reativamente, isto é, na medida em que surgem situações que as requerem, o que
evidentemente reduz o tempo de resposta. Dispor de uma estrutura habilita a
busca proativa de informações e a realização de definições relevantes para uma
liderança minimamente eficaz.
Basicamente, a nossa visão de liderança envolve cinco
direções principais:
- A situação atual.
- O planejamento local, ou seja, da área ou projeto
liderado.
- O planejamento pessoal.
- A filosofia pessoal de liderança.
- A dinâmica da liderança

A seguir descrevemos cada direção, com seus elementos
sumarizados em um mapa mental. Outros possíveis elementos são sugeridos depois.
Note que é um tema amplo, praticamente sem limites; nosso propósito aqui é
fornecer uma estrutura, um chão para que você possa iniciar a caminhada.
Nosso modelo foi inspirado na área de desenvolvimento
de sistemas; adaptações podem ser necessárias para o seu caso particular.
Direção 1: Mapeamento da situação atual
Direção 2: Planejamento local
Direção 3: Planejamento pessoal
Direção 4: Filosofia pessoal de liderança
Direção 5: Dinâmica de liderança
Mapa mental
Implementações
Variações e outras opções
Direção 1: Mapeamento da situação atual
Alguns temas básicos relacionados ao seu cargo estão
relacionados a perguntas do tipo "Onde estou?", "O que/quem
existe aqui onde estou que é relevante?", “O que devo fazer aqui?”. As
respostas requerem o levantamento das seguintes informações:
Suas responsabilidades
A sua responsabilidade genérica já está definida:
direcionar e conduzir as atividades de um grupo, área ou departamento. A partir
dessa direção, você busca ser mais específico. Exemplos de possibilidades:
- elaborar, monitorar, divulgar e manter o planejamento,
incluindo objetivos e atividades.
- ser o elo com um ou mais clientes, ouvindo-os e
atendendo às suas necessidades.
- fornecer informações para superiores.
- gerenciar subordinados, técnica e em alguns casos
administrativamente.
- resolver problemas.
Quem o contratou pode lhe informar suas responsabilidades,
mas talvez se concentre no essencial, pressupondo que você sabe o restante. Se
você é iniciante, caberá a você tornar explícitas essas responsabilidades,
quando necessário.
Outras áreas
Sua área geralmente depende de outras para funcionar,
incluindo a área administrativa, suporte a rede, computadores e softwares e
outras áreas mais específicas. Por exemplo, em uma empresa em que trabalhamos,
havia uma área somente para teste e homologação de aplicativos, com
metodologia, software, conceitos e jargões próprios, o que implicava em
inúmeras atividades de implantação e conhecimentos.
Convém, portanto, levantar essas áreas e suas
responsabilidades, assim como pessoas relevantes e informações de contato.
Envolvidos
Quem é de interesse para suas atividades? Os mais diretos
são superiores, subordinados, gestores, usuários.
Os tipos de pessoas envolvidas podem variar bastante. No
desenvolvimento de sistemas, por exemplo, há analistas, programadores,
administradores de dados, suportes variados, usuários gestores, usuários
finais. Convém também saber por quais nomes são chamados os papéis; clientes
internos e externos, por exemplo, podem ser chamados de clientes, gestores,
usuários. Em alguns casos pode haver ambigüidade: já vimos o termo “usuário” se
referir a quem usa mesmo, mas também a quem gerencia e especifica.
Uma situação é peculiar, mas pode acontecer: você recebe
uma pessoa relevante; saberia onde pedir café ou água?
Documentação
Toda empresa minimamente estruturada tem documentações
variadas, na forma de normativos e manuais. Você precisa saber no mínimo onde
há documentos (alguns ficam em repositórios centralizados), quais documentos
lhe interessam e ter uma idéia do seu conteúdo.
Convém pesquisar também se há regras para documentos;
alguns podem não ter sua cópia permitida, por exemplo.
Recursos
Há vários tipos de recursos que podem estar disponíveis e
que você pode precisar ou querer. Os mais óbvios são os físicos:
objetos, instrumentos, móveis e máquinas. Um clipe pode parecer insignificante,
mas por vezes ele é a melhor opção para você se organizar. Sabendo que um forno
de microondas está disponível no andar acima do seu, de vez em quando você pode
fazer uma sessão de pipoca – é integrador divertir-se e ter prazer juntos – ou
quem sabe levar as pipocas para atenuar uma reunião.
Outro tipo de recursos são os tecnológicos:
computadores, aplicativos, até tecnologias podem estar disponíveis. Alguns
serão óbvios, mas outros não. Por exemplo, se você quer integrar a informação
de sua área em um só local acessível a todos, saber que você pode hospedar
sites já lhe dá um caminho.
Particularmente importante dentre os recursos tecnológicos
é conhecer os softwares disponíveis, como programa de correio, editores
de planilhas e de texto, e outros mais específicos, como para desenhar
diagramas ou desenhar plantas. Não só é importante que você saiba quais
existem, como também saber algo sobre eles: mesmo que você não use todos, pode
precisar desse conhecimento ao planejar alguma atividade; será terrível
descobrir que havia um jeito melhor de fazer alguma coisa depois de já tê-la
feito. Em síntese, conheça suas opções.
Se você tem que usar software que não domina, pode ser
interessante treinar-se neles previamente, pelo menos nas funcionalidades
básicas; nada mais inconveniente do que aprender enquanto é preciso produzir
resultados. Mesmo que você não saiba como fazer algo em um software, é
importante saber de quais funcionalidades ele dispõe, para que você não corra o
risco, por exemplo, de fazer algo manualmente quando há uma opção automática;
na hora do uso você descobre como.
Uma classe de recursos importantes a que chamamos lógicos
inclui metodologias, métodos e técnicas. Metodologias, como o Processo
Unificado, impõem conceitos e jargões cujo conhecimento é importante não só
para a comunicação como também para o planejamento: elas definem artefatos, que
por sua vez definirão grande parte das atividades. Além disso, conhecer melhor
a metodologia permite que você tenha mais fundamento ao discutir prazos com
subordinados, que podem subestimá-los ou, por assim dizer, definir uma margem
de segurança muito grande.
Eventualmente serão úteis alguns métodos e técnicas
específicos. Por exemplo, há um conceito sobre relacionamento em
PNL (Programação
Neurolingüística) chamado rapport, que se refere ao nível de empatia
entre pessoas. O conceito é a base, mas há técnicas para gerar mais rapport.
Outro conceito de relevância crescente, também visto como habilidade, é a presença.
Você pode ter em seu repertório de recursos esses e outros que descobrir ou até
mesmo inventar, como “postura profissional” ou “minuto-reclamação”. Este site
tem muitos métodos, alguns simples mas eficazes, que você pode incorporar à sua
liderança; por exemplo, Criatividade:
Como gerar idéias diferentes e
Comunicação: Como pedir sem
pedir.
Note que você pode incluir como recurso toda a PNL, que
entra então como metodologia, ou componentes desta, como métodos, conforme o
seu grau de envolvimento.
Após o mapa mental desta subseção, apresentamos um mapa
mental detalhando mais os possíveis recursos. São apenas idéias,
possibilidades; o mais importante é a estrutura, que lhe facilita
reconhecer uma nova possibilidade e fornece locais para encaixá-la.


Direção 2: Planejamento local
Outra direção para obter informações e fazer definições
envolve responder às perguntas “Para onde vamos?” e “Como vamos”. A resposta à
primeira são os objetivos, e a resposta à outra é o planejamento de atividades.
Os termos “plano” e “planejamento” podem ser usados com significados distintos;
se necessário, faça as adaptações apropriadas; aqui usaremos planejamento para
o processo, e plano para o resultado. O termo “local” se refere ao seu projeto
ou área, para diferenciá-lo de “pessoal”, visto adiante.
Objetivos
Os objetivos são o que fazem pessoas, áreas e empresas se
mexerem. Os objetivos da sua empresa para sua área serão seus objetivos, você é
parte – fundamental, estrutural - do processo para atingi-los. Assim, você deve
saber com precisão quais são esses objetivos.
Eventualmente pode ocorrer de você chegar lá e não
encontrar objetivos definidos ou bem definidos. Neste caso, esta será uma das
primeiras tarefas.
Por outro lado, os objetivos da sua área são
objetivos-meio para os objetivos da empresa. Assim, convém ter uma boa idéia de
quais são estes e quais são relevantes para você.
Plano de atividades
O planejamento do que será feito inclui essencialmente as
atividades que, executadas, vão conduzir a alcançar os objetivos. Se houver um
planejamento, o que você fará é conhecê-lo e, quanto se achar pronto, fazer as
modificações que julgar apropriadas. Se não, claro está que você terá que fazer
um como prioridade, tendo por base os objetivos. Isso não é tão improvável; a
falta de planejamento pode ter sido um dos fatores que o levaram até essa
posição!
O planejamento de atividades pode ser visto de forma
estruturada. Primeira, deve-se saber o que será feito, que inclui os
produtos que vão existir, ‘produtos’ aqui significando produtos mesmo,
artefatos, serviços, processos e o que constitua resultado da ação e que,
completados, vão atingir os objetivos. Sabendo-se o que será produzido, pode-se
definir as atividades. Tendo-se as atividades, pode-se detalhá-las, em termos
de sua duração estimada e quem irá executá-las. Finalmente, esse plano é
inserido no tempo. Sumarizando:
- Defina o que será feito
- Defina as atividades
- Define os responsáveis
- Defina durações
- Defina datas
Há dependências aqui: você precisa saber o que será feito,
para depois definir as atividades correspondentes, para poder definir
responsáveis, para poder definir prazos, para poder definir datas. Além disso,
quando você for inserir o planejamento de atividades no tempo, pode encontrar
restrições que o obrigam a revê-lo. Isso torna o processo de elaboração do
planejamento iterativo, isto é, com várias passagens, nas quais são
feitos ajustes sucessivos até encaixar tudo.
Um aspecto importante aqui é que você só pode planejar o
que conhece o suficiente. Já comentamos isto, mas vale enfatizar: se sua equipe
usa uma metodologia, você certamente vai precisar conhecer os conceitos básicos
e os produtos previstos - documentos e outros artefatos - ou o subconjunto
deles adotado na sua empresa.
Quando você tem clientes, tipicamente haverá um plano que
foi entregue e serve de referência comum de atividades e prazos, inclusive para
multas por atrasos. Assim, provavelmente você terá pelo menos duas versões do
plano de atividades, sendo a segunda para uso interno.
Riscos
A objetividade é fundamental para a ação útil. Mas o
principal inimigo da objetividade é... ter somente ela. Em uma realidade
complexa, dinâmica e mutante, pensar só nos resultados e no caminho até eles
reduz a probabilidade de obtê-los, porque o inesperado pode encontrá-lo
despreparado. Compare com uma viagem de carro: se você não pensar que pode
derrapar em uma curva, não reduzirá a velocidade; se você não estiver esperando
uma possível freada súbita de um carro à frente, se acontecer vai demorar mais
para responder. Gerenciar riscos é tão importante que uma grande empresa em que
trabalhamos tinha uma vice-presidência só para isso.
Assim, gerenciar riscos é parte do processo de seguir aos
objetivos. Isso envolve identificar possíveis riscos, classificá-los segundo
sua relevância, o que inclui probabilidade e gravidade das conseqüências, e
lidar com os mais prioritários, no sentido de preveni-los ou definir ações
remediativas caso ocorram. Há metodologias próprias para riscos, sugerimos que
aprender sobre o tema e evoluir nele se tornem seus objetivos permanentes.
Aqui também você pode ter princípios, talvez não
explícitos em uma metodologia não estruturada. Um que gostamos é: “Toda ação
objetiva pode implicar em riscos”. Um corolário é que, quando você lida com
riscos, executa ações objetivas, que terão portanto seus próprios riscos. Um
exemplo de programação de computadores: quando um programa é corrigido, o risco
é de introduzir novos erros. Isso inspira – ou deveria inspirar – o programador
a ter cuidados adicionais e a testar mais.
Um possível obstáculo ao pensamento de riscos pode ser
cultural. Uma vez, em reunião com um cliente, mencionei um possível risco. Ele
esperou que eu terminasse e disse: “Agora vamos parar com o pensamento negativo
e continuar”. Assim como não se faz brainstorm com qualquer um, conversar sobre
riscos pode envolver uma pré-avaliação de adequação e talvez ações
preparatórias e contextualizadoras: "Olha, vou falar algo agora que pode parecer
pensamento negativo, mas a intenção é nos anteciparmos a possíveis problemas...".
Até onde você vai com o pensamento de riscos? Um caso
talvez ilustre melhor. Como coordenador de um sistema, conversava em uma
sexta-feira com um subordinado sobre sua carreira e seu futuro. Na
segunda-feira, ele e sua moto foram atropelados e, alguns dias depois, ele
morreu.
Talvez a referência principal para o pensamento de risco
seja mesmo “realismo’.

Direção 3: Planejamento pessoal
Assim como sua área tem objetivos e atividades, você
também os deve ter.
Objetivos
Seus objetivos pessoais derivam de suas responsabilidades
e dos objetivos locais, além de outras atividades mais burocráticas. Ou seja,
se você em algum momento não sabe o que fazer, o problema está no conhecimento
ou na definição desses elementos.
Plano de atividades
Tendo objetivos pessoais, naturalmente deverá executar
atividades para concretizá-los. Algumas atividades são de rotina e diárias,
como consultar o correio e eventualmente elaborar e enviar algum relatório.
Outras atividades regulares podem ser reuniões. Em essência, aqui estará
incluído tudo o que pretende fazer, mas ainda em um nível não totalmente
específico, que inclui quando fazer. Veja a seção Dinâmica abaixo.
Riscos
Aqui se aplicam todos os comentários sobre riscos feitos
para o planejamento local, aplicados aos seus objetivos e seus planos. Você
pode também procurar riscos pessoais; quem tem filho pequeno, por exemplo, está
sujeito a ser chamado a qualquer momento. O que você faria diante de uma
emergência familiar e uma emergência de trabalho?
E se você um dia quiser ou precisar sair, como será a
transição, quão fácil será substituí-lo?

Direção 4: Filosofia pessoal de liderança
Todo líder segue uma filosofia de liderança, quer seja
dele, de outros ou combinações. Isso ocorre mesmo se os elementos da sua
filosofia não estão conscientes, explícitos ou documentados. Por exemplo,
quando um líder chama a atenção de seu pessoal para horários, isto evidencia
que “disciplina” é um valor em sua filosofia, talvez “pontualidade”. Ele tem
expectativas por exemplo de “objetividade”, “espírito de equipe”,
“responsabilidade”, “comprometimento”... Os nomes podem variar, mas a essência
é a mesma: há uma filosofia que guia o líder.
Essa filosofia pode incluir princípios, valores, regras e
outros elementos. Aqui consideramos os seguintes:
Valores pessoais – regulam seu comportamento em
geral, sua liderança e relacionamento com pessoas. Exemplos:
Objetividade – Estar sempre com objetivos definidos
e planos para atingi-los.
Equilíbrio – O líder deve buscar equilibrar a
dedicação à família, à liderança e a si mesmo.
Feedback – Proporcionar feedback aos subordinados
sobre seus resultados e comportamentos.
Resiliência – Adaptar-se o mais rapidamente
possível às mudanças.
Realismo – Buscar a verdade dos fatos com rigor
(fundamento: melhores decisões)
Respeito – Respeitar as pessoas com as quais se relaciona,
mantendo educação, cortesia e não discriminando por nenhum aspecto.
Note, pelo último exemplo, que uma definição da filosofia
pode incluir o que fazer e o que não fazer.
Ética – Inclui valores profissionais. Por exemplo:
Transparência – Fornecer aos superiores todas as
informações para suas decisões; fornecer aos subordinados todas as informações
técnicas importantes e não sigilosas. Esta pode ser mais específica: interna ou
externa.
Observação do sigilo profissional – Algumas
informações a que você tem acesso são confidenciais. Explicitar seu respeito a
isso pode ajudá-lo a aperfeiçoar-se. Por exemplo, se você tem transparência
também como valor ético, terá que avaliar quando aplicar um e outro.
Diretrizes – Também direcionam e regulam
comportamentos, mas são menos rígidas e podem ser relaxados quando não valer a
pena ou houver algo mais importante prevalecendo. Exemplos:
Evolução contínua – Estar aberto e buscar regular e
proativamente [como objetivo] a evolução nos níveis técnicos, atitudinal, social,
gerencial.
Adequação perfil/papel – Na alocação de pessoal,
buscar o melhor encaixe entre capacidade e necessidade de uma posição.
Riscos – Buscar riscos e tratar os mais
importantes.
Note que é o que é valor ou diretriz depende de você. Em
caso de dúvida, classifique pelos seus critérios.
Comentários
O líder pode adotar uma metodologia de liderança completa,
se disponível; neste caso o que era a princípio um recurso teve reflexos aqui.
Ou pode adotar partes de filosofias diferentes. O fato de ter uma filosofia
explicitada habilita seu aprimoramento e evolução; por exemplo, ao ler um livro
sobre um assunto, o líder pode extrair o que achar interessante e incorporá-lo
à sua filosofia. O mesmo quando escuta algo de um colega. Em caso de algum
problema, o líder pode avaliar o que pode ser acrescentado para prevenir o
mesmo problema no futuro. Ter uma filosofia explícita facilita também oferecer
uma visão uniforme aos subordinados, para que saibam o que se espera deles,
além de você definir o que você espera de você mesmo. Se você errar, pode
avaliar seu erro sob a perspectiva da sua filosofia de liderança e identificar
em que precisa melhorar; o erro está na filosofia ou na aplicação da filosofia,
não totalmente em você, e assim fica mais fácil e leve lidar com as
imperfeições.
Quando o líder adota uma filosofia de liderança externa,
pode ter que aculturar seu pessoal com os conceitos relacionados. Por exemplo,
se você se considera um Gerente-Minuto, convém divulgar os objetivos-minuto, os
elogios-minuto e as repreensões-minuto.
Um aspecto importante sobre a escolha do que incluir na
filosofia, implícita ou explicitamente, são os porquês de cada escolha.
Por exemplo, por que ser “realista”? No nosso caso, é por acreditar que cada
informação errada usada como insumo para uma decisão reduzirá a efetividade da
decisão. Em outras palavras, quanto mais próximo da realidade estiver nosso
modelo mental de uma situação, melhores serão as opções geradas. Um exemplo
mais específico: se você acha que tem um ótimo relacionamento com alguém e este
na verdade não gosta de você, nunca lhe passará pela cabeça agir para melhorar
o relacionamento. E por que pensar em “riscos”, isso não é pensamento negativo?
A base vem do próprio realismo: as coisas nem sempre saem como planejado e
tratar riscos é uma das linhas de ação para aumentar a probabilidade de atingir
os objetivos.
Uma característica interessante é que valores e
princípios, embora nem sempre colocados dessa forma, para serem seguidos, devem
ter também a natureza de objetivos ou condicionantes de objetivos. Por
exemplo, se “transparência” é um valor para você, então, ao fazer um relatório,
você deve ter a transparência como um condicionante da elaboração: ela está lá,
presente, influenciando suas escolhas do que dizer. Ao falar com alguém, em
particular no caso de repreensões, seu objetivo é aplicar a repreensão, mas
“respeito” estará lá, influenciando sua escolha de palavras e formatos de
comunicação. Em outras palavras, será também seu objetivo aplicar
transparência e respeito.

Direção 5: Dinâmica de liderança
Acima você estruturou a liderança. Essa é uma visão
estática do processo; o fato de haver uma dinâmica acrescenta novos elementos.
Um deles é a atualização de controles, como quando uma atividade é completada
ou avança.
Você definiu objetivos e planejamento, mas isso também não
sairá totalmente como definido e previsto, não só porque as estimativas podem
estar incorretas ou imprecisas, como também porque a realidade muda e torna os
planos desatualizados. Isso determina que você ocasionalmente terá que ajustar
os objetivos e planos, independentemente de sua vontade de que eles permaneçam
estáveis.
Também problemas acontecem, na forma de obstáculos,
imprevistos, riscos se manifestando. Parte da sua responsabilidade é resolver
ou conduzir a solução de problemas; esta é uma das razões para você estar lá.
Você dificilmente poderá prever todos os problemas, mas a probabilidade de que
ocorram é grande. Assim, parte do seu tempo será dedicada a problemas. Esperar
que eles aconteçam permitirá que você esteja mais bem preparado para eles,
reagindo mais objetivamente e menos emocionalmente.
O instrumento de estruturação de suas ações é o Plano de
Ação.
Plano
de ação
As ações têm uma característica: só podem ser executadas no
momento presente; tudo o mais é previsão e planejamento. Quanto mais no futuro,
mais incerteza de serem executadas como previstas. Para organizar o que será
efetivamente feito, você pode se planejar considerando cada dia, que é uma
unidade estrutural de trabalho no que se refere ao tempo. Assim, em um dia
típico, você estará envolvido com:
Rotina
Revisar planejamento local
Atualização
Ajustes
Revisar planejamento pessoal
Atualização
Ajustes
Executar planejamento
Resolver problemas
riscos
manifestos
obstáculos
imprevistos
interferências
Quanto mais uma atividade se afasta do presente, maior a
incerteza. Assim, quanto mais no futuro, mais genérico pode ser o planejamento.
Por exemplo, para hoje e amanhã você pode ter um planejamento bem específico.
Para o ano que vem, você pode pensar mais no que vai fazer por mês.
O momento ideal para trabalhar o plano de ação parece ser
no final do dia anterior, mesmo porque você pode ter no dia seguinte atividades
não normais, como ir para outro lugar no início do dia. Se necessário, pode
fazer uma revisão quando chegar ao local de trabalho. Ajustes serão
inevitáveis, devido aos imprevistos e problemas. Por exemplo, em um dia você
terá mais e-mails para responder, noutro terá uma reunião inesperada.
A realidade é complexa e dinâmica, e as diferenças entre
os modelos, planos e a realidade aumentam rapidamente. Se não se dedicar
diariamente a manter informações, planos e controles atualizados, logo poderá
ficar perdido.

Mapa mental
Veja a seguir o mapa mental completo da estrutura da
liderança (exceto Recursos; veja o mapa mental de detalhe acima).

Implementações
Para estruturar-se no papel de líder, você vai escolher os
elementos a serem incluídos. Outra escolha é como implementar cada elemento:
onde documentar os objetivos e o planejamento de atividades locais? E os seus?
Onde documentar sua filosofia? Algumas idéias:
- Em alguns casos, você não terá escolha: sua empresa já
terá modelos e padrões. Você deve ter essas informações.
- Você fará várias escolhas sobre se vai documentar algo
ou não. Para algumas coisas, você pode concluir que ficarão bem somente em sua
mente; outras poderiam ficar só na mente, mas você vai compartilhá-las, e então
resolve por isso documentá-las.
- É interessante formalizar seus modelos de documentos,
tendo-os para cada tipo de instrumento: plano disso, plano daquilo. Para o
plano de atividades local certamente já haverá um software, como o MS-Project.
Para o seu, você poderá usar o mesmo, um mapa mental ou até uma lista simples,
dependendo da complexidade.
- Os produtos principais da análise de riscos serão
atividades, que podem ser incluídas no planejamento. Pode haver também planos
de riscos, devidamente estruturados.
- A filosofia de liderança pode ser registrada em um mapa
mental, que não só conduzirá a uma estruturação das idéias como facilitará sua
maturação, domínio, divulgação e evolução.
- Será interessante ter um mapa mental com o sumário de
todos os elementos relacionados à liderança. Ele pode incluir também links para
documentos de detalhamento. A base pode ser o próprio mapa mental aqui proposto.
(Para saber mais sobre mapas mentais, veja
Recurso de inteligência: Mapas Mentais)
Variações e outras opções
Histórico – Nosso modelo de estrutura de liderança
inclui o presente e o futuro, mas não o passado. Eventualmente você pode querer
acrescentar uma direção correspondente, se tiver alguma utilidade para isso.
Por exemplo, a situação na equipe pode não estar boa, e entender como chegou
até essa condição pode ser útil para identificar opções de intervenção. Também
pode ser útil saber por que certas decisões foram tomadas: você pode ter que
explicá-las perante clientes. Atas podem ser uma boa fonte para informações
históricas.
Tratar idéias – As pessoas que podem dar melhores
idéias para evolução de um projeto ou área são as que estão mais próximas da
realidade em questão, no caso, os técnicos e usuários de produtos; líderes
tendem a enxergar as coisas de forma mais genérica. Se sua filosofia inclui o
princípio da Evolução, seu método pode incluir o incentivo à geração e compartilhamento
de idéias para seguir esse princípio.
Para que dê certo, deve haver incentivos concretos para os
autores das idéias selecionadas; nada de certificados e congratulações
sorridentes, dê dinheiro, dias de folga, coisas materiais ou significativas
para os premiados. Também deve haver um processo explícito para tratamento e
aproveitamento das idéias; se quiser matar um programa de idéias rapidamente,
não dê retorno nem explique nada. Se tiver dúvidas, coloque-se como autor de
uma idéia e identifique o que lhe motivaria a participar – e a continuar
participando.
Um aspecto importante sobre idéias é a oportunidade
de concretizá-las. Uma idéia pode ser ótima mas produzir efeitos colaterais
indesejados. Por exemplo, alguém pode dar uma idéia para melhorar um modelo de
documento, mas já há dúzias de documentos baseados nesse modelo, e a inserção
da nova idéia iria quebrar um padrão. Caberá então uma avaliação de custos e
benefícios e a busca por uma boa oportunidade de mudança.
Crenças – Um dos elementos que usamos para formar
nossos modelos de mundo são as crenças. Por exemplo, as crenças sobre o que
você é capaz de fazer são referência ao decidir o que você vai efetivamente
fazer. As suas crenças sobre pessoas em geral e sobre cada pessoa específica vão
influenciar suas escolhas. Ocorre que crenças funcionam bem quando
subconscientes, e “funcionar” aqui pode ser positiva ou negativamente. Um
exemplo deste segundo caso é quando você não acredita que pode fazer algo e na
verdade poderia, se tentasse ou se preparasse melhor.
Explicitar suas crenças, trazendo-as para o consciente e
trabalhando-as, pode ajudá-lo a tornar-se mais capaz e competente. Mas este
tema é muito vasto para este espaço; sugiro conhecer a PNL.
Metafilosofia – Uma filosofia de liderança inclui
elementos; como devem ser seguidos esses elementos? Se quiser explicitar mais
sua filosofia, pode definir sua metafilosofia, que regula a filosofia.
Por exemplo:
- Objetividade – Os elementos da filosofia são
tratados como objetivos contínuos a serem concretizados (veja discussão acima).
- Sustentação – a filosofia deve ser sustentada
pela experiência.
- Evolução – uma filosofia pode ser atualizada para
melhoria ou adequação à realidade ou uma porção dela.
- Oportunidade – ocasiões de não aderência à
filosofia devem ser usados como impulso para sua evolução ou amadurecimento.
Uma metafilosofia permite que você faça distinções não
necessariamente óbvias para certas situações. Por exemplo, se você encontra
algo não previsto pela filosofia, ao invés de se lamentar, o princípio da
Evolução lhe facilita enxergar que deve atualizar a filosofia. Em síntese,
distinções adicionais, opções adicionais.
Oportunidades de evolução – Tendo bem caracterizadas
suas oportunidades de evolução, você poderá definir ações para elas e incluí-las
no seu planejamento pessoal. Tendo sua metodologia de liderança explícita, será
muito mais fácil reconhecer essas oportunidades. Por exemplo, “Seguir mais
fielmente o planejamento” ou “Observar mais o valor Respeito”. Você pode ser mais
específico: “Revisar o plano de ação todo santo dia antes de ir para casa”.
Definir as oportunidades de forma construtiva pode ajudar: “Buscar opções diante de problemas”, inspira mais o que fazer do que “Não ficar
paralisado diante de problemas”.
E, se você errar, ao invés de lamentar, se punir ou fazer
alguma outra coisa potencialmente improdutiva e limitante, terá também a opção
de apenas incluir uma nova entrada no seu Plano de Evolução – talvez na parte
“Possibilidades”, cuja prioridade depois você avalia, no contexto do todo - e
decide.
Virgílio Vasconcelos Vilela
Editor deste site
Original do e-livro
Modelos e
Métodos para Usar Mapas Mentais
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